sexta-feira, 26 de outubro de 2012

Cap.3 - Srtª. Rose



Capitulo 3 Srta. Rose

“E como eu me arrependi de ter visto aquelas fotos, mesmo que sem querer. Lá estavam fotos de fotos de pessoas mortas, em decomposição, esfoladas, maltratadas, baleadas, outras sendo açoitadas e algumas com corpos carbonizados.
“Assustada fiquei imóvel, quando fui apanhada por uma das cozinheiras e levada pro quarto com cuidado, ela acariciava minha cabeça, e ficou comigo até que eu adormece-se.
“Quando meu pai voltou, ele veio com uma desgraça maior ainda, para aterrorizar minha vida, Srtª. Rose, sua nova mulher.”
Fechei o diário e fui para casa, antes que o sinal tocasse e ao deixa-lo no chão, não demorou muito e ele desapareceu, em instantes.
...
...
Chegando em casa, me joguei no sofá e fiquei a fitar o teto, e a pensar no diário de Loren, era estranho tudo aquilo, e eu queria entender porque logo eu? Virava de um lado para o outro, e só pensava no diário, e imaginava qual seria as próximas páginas...
Aquele diário foi a história mais interessante que já li, mas também foi uma das coisas mais aterrorizantes...
Enfim, sentei no sofá inquieto e então tomei uma decisão, peguei minha blusa, coloquei o tênis e voltei para a escola, onde encontrei o diário no corredor como sempre, peguei-o e fui para uns dos cantos escondidos da escola, pois no corredor eu corria o risco de ser pego.
Então o abri rapidamente...
“Imaginei que mais cedo ou mais tarde, você voltaria para ler!”
Surgiu no meio na página pálida, “Já que sabia, então me mostre o resto”, pensei.
“Já que é assim, vire a folha!”, surgiu abaixo da outra frase.
E ao virar a folha, palavras se formavam dos borrões de tinta:
“Srtª. Rose, era muito linda, o corpo perfeito, olhos azuis quase agua, um cabelo negro cacheado de dar inveja, sua pele pálida era tão cristalina que se refletia ao sol e suas roupas eram impecáveis, uma mais linda que a outra, e joias não podia faltar em hipótese alguma.
“Mas oque tinha de perfeição, tinha de crueldade e maldade.
“Sempre com seus longos vestidos vermelhos, sua cor favorita, desfilava pela casa fazendo oque bem entende-se e se alguém ousasse comentar algo ou se impor a suas ordens, logo sofria as consequências.
“Lembro me do dia em que ela discutiu com a cozinheira Isabel:
-Hoje eu quero que você faça um salmão, para o jantar! – falou ela para Isabel, ao entrar na cozinha.
-Sim senhora! – disse a cozinheira tímida se curvando. – Mas devo-lhe avisa-la que a Loren é alérgica a qualquer frutos do mar! O que...
-E eu lhe perguntei alguma coisa? Faça oque eu disse, sua inútil! – rebateu a Srtª. Rose.
-Sim senhora! Mas oque eu devo preparar para Loren? – insistiu a Isabel.
-O cozinheira burra! Qual a parte do faça o salmão você não entendeu?
-Eu entendi perfeitamente senhora! Mas e Loren? – Isabel estava tremula.
-Ela comerá salmão também, e se ela não quiser que morra de fome! – falou Rose irritada. – E se ainda insistir, eu vou mesma vou fazer o jantar para essa pirralha, que será cozinheira assada! Entendeu? – Isabel assustada arregalou os olhos. – E que você vai preferir que Loren coma?
-Eu irei preparar o salmão agora mesmo senhora!
-Hum, e não demore, caso contrario, já sabe!
-Sim senhora!
“Srtª Rose, saiu da cozinha, e Isabel me olhou, com cara de quem pede desculpa mas não disse nenhuma palavra, e eu entendi que ela estava com pena de mim, eu sorri para ela, falando que estava tudo bem, apesar de saber, que em breve morreria nas mãos daquela megera.
“Eu não podia estar mais certa.
“Rose continuou com seus tratamentos aterrorizantes, açoitando o jardineiro por ter aparado  as flores do jardim, que estavam no meio da passagem; Ela também espancou a empregada por ter lavado os vestidos vermelhos juntos, e não cada um em uma lavagem; Agrediu a faxineira por ter esquecido de limpar a maçaneta da porta de seu quarto; Despediu minha baba, Beth, e me batia todas os dias em que brincava.
“Depois de alguns dias aprendi que eu não podia brincar ali ou em qualquer lugar, então eu passava meu dia a olhar o chão ou a acompanhar os empregados e olhar eles se matando para fazer seu trabalho, as vezes eu até ajudava eles, para que não apanhasse da Rose.
“O demônio é o pesadelo de qualquer pessoa, principalmente crianças.
“Srtª. Rose era meu demônio, literalmente.
“E era a companheira perfeita para meu pai.”
Fechei o diário e fui para casa, larguei o diário no chão do corredor e nem olhei para traz.
Ao chegar em casa tomei um banho quente e tentava desviar os pensamentos da história de Loren e de seu maldito diário.
Cansado, sair do banho e fui direto para cama.
Mas quem disse que eu consegui dormir?
Sonhei com as histórias do maldito diário e com Loren e ao acordar eu não consegui mais dormir, assustado com oque eu havia visto.
E então na manha seguinte, ao ir pra escola avistei o diário no chão.
Irritado pequei o diário e o abri.
“Nossa, veio mais cedo hoje!” – surgiu na página.
“Me conte o resto!” – pensei.
“Sim senhor! Tá de mal humor hoje?”
“Cala a Boca e me mostre o resto!!!”
“Tá, então vire a página!”
Virei a página e continuei lendo, lendo e lendo, sobre a crueldade de Rose e da horrível história de Loren.
Rose havia matado o pai dela e acabou tendo posse de tudo que era dele, e passou a ter posse de Loren, para o azar dela e fui a partir dai que a vida de Loren virou um verdadeiro inferno!
Ao bater  o sinal, peguei o diário e o coloquei na mochila, e fui para casa, onde me joguei no sofá e peguei ele para lê-lo e dessa vez até o final.
...
Capitulo 4 – Visitante
Oh Rose, Rose, Rose, Rose querida!
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