quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Cap.1 - 1979



Capitulo 1 - 1979

...
Era ano novo quando eu fiquei sozinho em meu quarto, vendo os fogos de artificio, vindo do centro da cidade, enquanto meu pai e Lanny estavam se divertindo um com o outro e eu não queria presenciar, por isso me mantive no quarto por toda a noite.
Eu ficava na janela parado só vendo as cores explodirem no céu, e de repente a festa acabou, e o céu tornou a ficar com sua cor de origem, mesmo assim continuei a observar.
O jardim de casa estava tão escuro que mal dava para diferenciar as coisas, formas e objetos que ali estavam; A fonte que ficava quase em frente de casa, fazia seus barulhos rotineiros, enquanto eu observava as luzes da cidade.
A nossa casa era tão afastada que dali só as luzes das ruas eram vistas, por causa do brilho, caso contrário nem isso veríamos, a casa mais próxima da nossa era a do Sr. Ludy Gurs, que era um senhor muito simpático e as vezes meu pai deixava ir na casa dele ajuda-lo com os afazeres.
Sr. Ludy Gurs, morava sozinho, pois sua mulher havia morrido em um acidente, que eu não sei qual foi, pois ele nunca fala sobre ela, apesar de ter uma cara fechada é gente boa, adora animais e seu único companheiro é um pássaro quase no fim de sua vida.
Ele era o único senhor de 70 anos que eu conhecerá que não era tão rabugento como á maioria era, Ludy Gurs, era muito diferente, adorava crianças e festas, e gostava da minha presença, quando passava o dia com ele, contava-me histórias, brincávamos, ajudava-o com algo que ele não conseguia, e vez ou outra ele liberava algumas de suas histórias.
Mas naquela noite a casa estava paralisada, não havia luzes, nem uma comemoração simples que seja, nem as luzes da varanda estavam acessas, fiquei curioso para ver onde ele estaria.
Fiquei observando sua casa para ver se via algo de diferente mas nada, também estava muito escuro para enxergar algo, então entediado de só ficar no quarto, decidi festejar meu ano novo com ele. Peguei meu casaco e uma lanterna e sai de casa com o máximo de cuidado.
Ao chegar no jardim de casa liguei a lanterna, para pelo menos enxergar algo a minha frente.
Fui andando pela estrada de terra que seguia para o cemitério da cidade que era a poucos quilômetros de casa, naquela noite estava tão escuro que a lanterna mal clareava 1 metro a minha frente, então a segurava com força e seguia o mais rápido que podia pra sair daquela escuridão.
Aos poucos comecei a correr, cada vez mais rápido, até chegar a casa de Ludy que estava imersa na escuridão.
-Ludy! Sou eu o Meath! Você está ai? – gritei do lado de fora, e não ouvi nada nem vi nada. – Ludy? – perguntei novamente mas nada.
Joguei pedras na janela do seu quarto no segundo andar da casa, mas nada, então decidi entrar, a porta estava aberta, como ele sempre deixava, a escuridão na casa era impressionante, passei a lanterna, por todos os lugares mas não vi ele, mas avistei algo diferente, fotografias.
Havia fotografias na lareira da sala, coisa que nunca havia visto naquela casa, então me aproximei para ver melhor, mas as fotos eram tão velhas que os rostos estavam embaçados, mas pude reconhecer Ludy, mas não consegui reconhecer a jovem ao teu lado, provavelmente era a mulher dele que havia morrido, mas sentia que já havia visto ela.
Ouvi ruídos na casa, e meu coração disparou:
-Ludy? – perguntei. – Ludy é você? Você está aqui? – perguntei sem ter respostas.
Então assustado eu saio da casa dele correndo, e quando fui descer a escada da varanda acabei tropeçando e cai, deixando a lanterna ficar a uma certa distância de mim. Fui então que vi uma sombra vindo da estrada em minha direção.
-Ludy! – sussurrei como um apelo.
A pessoa se aproximava mais e mais e logo a pessoa estava em pé ao meu lado, que me pegou com força e me ergueu!
-Meath? – perguntou. – O que faz aqui garoto? – só então reconheci a voz de Ludy, oque fez meu medo passar.
-Ludy! Onde você estava?
-Fui ao centro da cidade, tinha assuntos a ser resolvidos! – respondeu ele. – E você oque faz aqui?
-Vim comemorar o ano novo com você!
-Não tem nada à se comemorar no ano novo!
-Mas ...
-A cada ano que se inicia é mais um banho de sangue!
-Ludy!
Meu medo tomou conta de mim novamente.
-Vá para casa agora, e tenha cuidado, ela pode estar por aqui, vá para sua casa e não saia de lá, haja oque houver! Ouviu? – acenei com a cabeça. – Então corra!
Apesar do medo estar tomando conta do meu corpo e as pernas bambas, consegui pegar a lanterna, inútil, e correr até em casa, e no meio do caminho comecei a pensar, porque Ludy estava vindo da direção do cemitério , se foi ao centro da cidade? Talvez, sentiu falta da mulher, e quis visita-la.
Ao chegar em casa, todas as luzes estavam acessas, e ao entrar correndo com medo, vi meu pai na sala, morto a facadas no chão, o sangue penetrava no tapete branco abaixo dele.
-Pai! – falei assustado.
As luzes começaram a piscar todas ao mesmo tempo, se ouvia risos pela casa, batidas e ruídos.
-Lanny! – afirmei.
Enquanto a casa demonstrava seus terrores, decidi me mexer, subi as escadas correndo.
-Pra onde vai Meath querido? – disse uma voz aguda.
O corredor piscava e as portas se debatiam, e o vento era tão forte que os quadros da parede voavam e rodopiavam no ar, fechei os olhos e segui pelo corredor até chegar ao meu quarto.
Me joguei na cama e me cobri com a cabeça, assustado.
-Para!!! – gritei o mais alto que pude.
E então a casa imediatamente se calou e o silêncio a tomou, me descobri e olhei em volta, e estava tudo muito calmo.
-Está com medo Meath? – falou aquela voz mais uma vez.
Os brinquedos da prateleiras, criaram vida e começaram a se mover por conta própria.
E então Lanny surge na porta, com uma aparência um tanto quanto diferente, com a cara machucada e mais pálida, e um vestido branco ensanguentado.
-Esse ano essa maldição que me prende tem que acabar!
Lanny me agarrou na cama e me amarou os pés e as mãos, eu gritava e ela se divertia, ela fez desenhos no chão com seu próprio sangue, e acendeu velas brancas em formando um circulo em volta da cama.
Ela então tirou um livro preto e dourado do meio do vestido, e começou a recitar um texto e então a casa voltou as suas manifestações como antes, e dessa vez ela me atingiu, eu me contorcia de dor e ardia como fogo.
E assim que ela terminou de ler seu texto, em códigos, de entre o vestido tirou um punhal e me esfaqueou até a morte.
...
...
Capitulo 2 – 1979 parte 2

Um comentário :

Cadu C disse...

Demais! Muito bem escrita, =)